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Little Shelf

13/03/2015

“Parabéns”. Era essa a única palavra que vinha em mente enquanto eu me olhava no espelho em minha frente. Meu aspecto estava simplesmente deprimente, meus olhos estavam fundos e ao redor deles existia uma grande linha roxeada. Parecia que havia chorado durante uma semana inteira, mas o que realmente acontecia é que eu não havia chorado pouco mais de 3 horas. Eu me sentia tão fútil e idiota naquele momento que se um buraco se abrisse embaixo de mim e me abduzisse pra um lugar ainda não conhecido, seria um alívio. Olhava-me incrédula, como eu teria a capacidade de ter te magoado com um ato impensado meu? Eu e minha mania de agir por impulso e sair magoando todos a minha volta e só pensar depois da merda toda ter sido feita. Eu era comprovadamente uma imbecil, a pior criatura existente nesse planeta. Eu deveria ser presa só por ter tirado teu sorriso lindo e bobo dos lábios e ter feito as lágrimas te brotarem nos olhos. 
“Parabéns para mim, você ganhou o prêmio da pessoa mais idiota existente no planeta”. Senti mais uma lágrima escorrer sobre o meu rosto ao lembrar-me do que tinha feito na noite passada. E assim senti mais outros milhões de lágrimas descerem inconvenientemente. Eu soluçava baixinho enquanto xingava para mim mesma o quanto eu me odiava naquele momento por ter feito o meu amor chorar. Suspirei baixo e sai andando em direção à janela, o céu estava totalmente azul, não havia nuvens. Seria um dia perfeito pra darmos uma volta não é? É, seria se você não estivesse a quilômetros de mim e se não estivesse triste. Fechei a janela e fui direto pra minha cama. Deitei-me e me enrolei por completo com o edredom, não me importava que estivesse fazendo quase 35º lá fora. Eu só queria ficar quieta e esquecer que existia um mundo esperando por mim. Eu não queria mais viver, não sem você. Não sem os seus sorrisos, suas gargalhadas e suas piadinhas sem graça. Nada era muito completo sem você, não tinha a mesma importância. Com você tudo era diferente, parecia que tudo se completava de um jeito perfeito demais. Agarrei o travesseiro e fechei os olhos, os apertando com força e desejando pra que quando os abrisse você estivesse em meus braços e não meu travesseiro que ainda estava úmido por conta das minhas lágrimas. Abri os olhos desanimada, é claro que você não iria aparecer em meu quarto em um passe de mágica só porque eu desejaria isso. A vida era complicadamente difícil. Se você morasse aqui, bem mais pertinho de mim, com certeza eu teria juntado todas as minhas forças e engolido o pouco de orgulho que me restava e teria batido na porta de sua casa sem pensar duas vezes só para te pedir desculpa, olhando em teus olhos. Mas não, Deus tinha que ter te colocado a quase três mil quilômetros de mim. Muito injusto. Injusto demais, demais até. Apertei o travesseiro com força e deixei um gemido de dor misturado ao dengo escapar entre meus lábios. Eu te queria ali, era fato. Ah, como eu queria. Cuidando-me, abraçando-me, você não precisaria falar nada, seu silêncio já seria confortante para mim. Sai de debaixo do edredom, eu tinha que fazer algo, ficar ali deitada, desejando você aparecer do nada não iria resolver. Sentando-me na cama, tateie toda ela a procura do meu celular. Assim que o encontrei, o encarei por alguns longos segundos e após um suspiro tive coragem de discar seu número. A cada toque que ecoava em meu ouvido sentia meu coração saltar e implorar por sair do meu corpo. Você não atendeu e eu soube, era o fim...

Autora: Jessika Lima.


Achei esse texto nas minhas pastas antigas. Lê-lo me fez reviver toda essa situação de 3 anos atrás e foi por esse mesmo motivo que decidi compartilha-lo com vocês. Gosto de textos que depois de tanto tempo que foi escrito ainda me faça sentir algo. Espero que gostem!

Little Shelf

25/09/2014

Sabe quando você se apaixona por uma voz? Pois é. Essa voz podia me acordar no domingo de manhã, podia me fazer ficar sexta a noite em casa, podia me fazer chorar no sábado e rir na segunda. Essa voz tinha o dom de organizar o meu humor e bagunçar a minha vida, ela nunca dizia nada e ainda assim sabia a coisa certa a dizer, entende? Essa voz podia me fazer perder o sono com uma frase, ou até mesmo com a ausência de qualquer frase. Essa voz podia ter meu coração nas mãos. Sabe quando você escuta um "bom dia" e te soa como uma música? É isso! Aquela voz já havia se tornado minha canção favorita, aquela da qual eu precisava ouvir antes de dormir, a voz que em sussurros chegava ao meu coração. Sabe quando você imagina um cheiro? Aliás, sabe quando você respira fundo e sente esse cheiro pela casa? Era assim. Não importava o nome do perfume, não importava a fragrância que ele possuía, tudo tinha aquele cheiro, que era como um abraço, me envolvia e me prendia de um modo que eu não queria sair. Não satisfeita eu me apeguei ao sorriso. Caralho! Como alguém podia ter uma gargalhada que ecoasse pela cabeça e se prendesse ao coração? Entre brigas, entre palavras imprensadas, entre atitudes mal tomadas, o amor estava ali. Eu neguei, até o último momento, mas, quem nunca sorriu pra dizer que estava tudo bem ou chorou jurando que era de alegria? Por várias noites eu dei o nome ao que sentia de capricho, eu disse, inúmeras vezes que já havia passado, mas, sabe por que não passou? Porque bastou uma palavra, um sinal, um único sorriso para eu me lembrar da porra do jeito, do olhar, dos planos, de todas as palavras, do carinho e do culpado de tudo, do amor. Bastou uma frase tola para eu me lembrar de porque o meu coração batia em descompasso e de um modo torto tudo se ajeitou. Eu vi tudo como era antes. As nossas brincadeiras, as nossas conversas, as nossas piadas internas, a gente, sabe? Nós dois. De imediato reconheci o ciúme e, nossa... ele sempre esteve evidente. Sempre fomos muito intensos, muito birrentos, muito nós. Os nossos sentimentos tinham certas tendências para serem desastrosos. Lembro-me de ter falado uma vez: "Vai, vai lá e fala pra ela que a ama. Aproveita também e fala tudo que já me falou um dia.". E você gargalhar e dizer que me ama com a voz mais perfeita e filha da puta do mundo. E de repente eu começava a rir e te chamar de idiota. Era amor, dava pra ver. Porque se um dia eu tivesse que ligar para alguém, não importa o porquê, seria para você. Eu ainda lembro sua voz me chamando de pitoquinha, lembro do meu coração te precisando todos os dias. Foda essa coisa de lembrar, não é? Você consegue sentir abraços nunca ganhos, cheiros nunca sentidos e beijos nunca dados. Você se pega de olhos fechados, encolhida em meio a mil cobertas e torcendo para aquele urso de pelúcia vire alguém de quem você lembra. O sorriso, a voz, o cabelo, o jeito. Você lembra, simplesmente lembra, o que, na verdade nunca esqueceu.

Autora: Me